Publicado por: Filipe de Arede Nunes | 16/04/2010

25 de Abril sempre! Mas então e o resto?

Não existe qualquer dúvida que o 25 de Abril de 1974 se assume como um momento de grande importância no longo percurso da história de Portugal e que festeja-lo e relembrar o seu significado é um dever a ser cumprido.

No entanto, a história de Portugal não terminou, e muito menos se iniciou, com o 25 de Abril de 1974. Um país fundado há quase 900 anos tem ao longo deste longo períodos datas marcantes e decisivas entre as quais o 1 de Dezembro em que se comemora a restauração da independência, o 5 de Outubro no qual se celebra a implantação da república e o 10 de Junho dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

No concelho do Seixal apenas se comemora com pompa e circunstância o 25 de Abril. 1 de Dezembro, 5 de Outubro, 10 de Junho não merecem festas, exposições, artistas na rua, exaltações públicas. No Seixal independência, república e Portugal parecem ser uma mão cheia de nada, irrelevantes, sem direito sequer a uma pequena referência no Boletim Municipal (vide a este respeito e a título meramente exemplificativo os Boletim Municipal de 12 de Junho de 2009, 16 de Outubro de 2009 e 11 de Dezembro de 2009).

Sabemos que a história é um fundamental agente político/ideológico e que, ao longo dos séculos, tem servido determinados interesses, tem sido seccionada e a analisada sectorialmente e moldada tendo em consideração interesses muito específicos.

Por isso permitimo-nos a retirar conclusões sobre a forma como os feriados nacionais com conteúdo político são celebrados/recordados no concelho do Seixal. Celebrar o 25 de Abril tem direito, e bem, a um longo programa de festas e iniciativas – com cartaz onde se faz referência ao Seixal como um concelho de Abril – e ainda a um espectáculo comemorativo que vais custar aos munícipes seixalenses € 80.000,00 (vide Grandes Opções do Plano do ano de 2010, página 32).

Será legítimo que entidades a autarquias fazerem este género de interpretação seleccionada – altamente seleccionada diríamos até – de determinados elementos da história de um país? Será legítimo tratarem de forma desigual o que aparentemente é igual? E, sobretudo, o que justifica este tratamento desigual da história? 


Responses

  1. Concelho de Abril???? Deixa-me rir!!!!!


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