Publicado por: Filipe de Arede Nunes | 14/09/2010

Mobilidade e ciclóvias!

Ao se percorrem algumas das principais cidades europeias somos confrontados com as diferenças de riqueza existentes entre as mesmas. Apesar da Europa ser um continente onde os países comunga de inegáveis semelhanças culturais tal não significa que os mesmos países estejam todos ao mesmo nível no que ao desenvolvimento diz respeito. Há, naturalmente, uns mais ricos e outros mais pobres.

No Boletim Municipal de 3 de Setembro surge uma “notícia” sobre a Semana Europeia da Mobilidade. O subtítulo é bastante curioso: Ande a pé, de bicicleta ou de transportes públicos.

É evidente que o poder político não pode mudar profundos hábitos culturais e comportamentais dos seus cidadãos, mas pode pelo menos tentar fazer alguma coisa a esse respeito!

Naturalmente que o município do Seixal integra as comemorações desta Semana Europeia da Mobilidade com várias iniciativas que podem ser consultadas aqui!

Até aqui parece estar tudo bem. Mas não está! E não está por um conjunto significativo de motivos:

Em primeiro lugar a muito propagada rede ciclável do Seixal não existe. Foi anunciada? Claro que foi! Então não haveria de ter sido? Há muitas coisas que não funcionam no executivo da Câmara Municipal do Seixal, mas não é o caso do Gabinete de Propaganda! A questão é que apesar do que aqui se refere, ou aqui, não existe uma verdadeira rede ciclável no concelho do Seixal e as palavras dos responsáveis políticos estão mortas de vacuidade!

Em segundo lugar, o próprio concelho do Seixal e a forma como foi crescendo ao longo dos anos não permite, globalmente, que os seus habitantes se desloquem de bicicleta de um ponto do concelho para o outro. A forma desordenada como os cogumelos de novas urbanizações foram crescendo, bem como a ausência de verdadeiros centros urbanos no concelho são entraves significativos para a propagação em larga escala da utilização de bicicletas no nosso concelho!

Em terceiro lugar, é preciso fazer notar que a Câmara Municipal do Seixal não tem sido, também, capaz de criar pontos de estacionamento para a utilização das bicicletas. Pense-se nos centros de freguesia e perguntemo-nos onde estão os espaços para arrumar bicicletas. Naturalmente que estamos a falar de verdadeiros estacionamentos e não meia dúzia de pontos espalhados, quiçá aleatoriamente, pelo concelho!

Ao andarmos por outras cidades na Europa não é esta a realidade. Para além da existência das evidentes ciclóvias – e algumas são bem fáceis de construir porque são apenas marcações no pavimento! – existem também condições urbanísticas e pontos de estacionamento! É talvez reflexo de uma evolução comportamental que não existe ainda em Portugal nem no concelho do Seixal!


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