Todos nós temos de conseguir e ter a coragem de assumir responsabilidades quando as temos.
Quebrando uma regra que uso habitualmente na minha escrita escrevo este texto na primeira pessoa do singular e não no plural majestático como normalmente ajo. Vou faze-lo porque é fundamental assumir a responsabilidade no resultado eleitoral de ontem que julgo ter.
Fui, durante quase 10 anos, militante do PSD e assumi durante muito desse tempo funções executivas dentro da estrutura local do partido e da JSD.
Nos últimos 10 anos perdi (e hoje sei que perdi) muitos milhares de horas em actividades políticas e partidárias, muitas vezes com graves prejuízos da minha vida pessoal. Fi-lo porque acredito que todos temos obrigação de dar o nosso contributo para a melhoria das nossas condições de vida. Fi-lo porque acredito que a política demagógica, populista, folclórica não beneficia a população nem aumenta a qualidade de vida dos indivíduos. Fi-lo porque não tenho qualquer dúvida que o PCP governa mal o Seixal e que não só não tem capacidade de resolver os problemas do concelho como tem também criado muitos outros que não existiam.
No entanto reconheço a derrota das minhas convicções. O PCP não só ganhou a CMS, como aliás já esperava, como reforçou a votação sobretudo porque teve mais 3500 votos do que havia tido em 2005 e subindo 30 pontos percentuais em 15 dias.
O resultado das eleições de ontem, e apesar da minha crença na vitória do PCP, foi para mim uma surpresa!
Os indicadores (não conhecia qualquer sondagem) diziam que o PCP vinha perdendo eleitorado no Seixal ao longo dos últimos actos eleitorais. Acreditei que essa tendência se continuaria a verificar nestas eleições e não consigo compreender o que fez com que se invertesse. Afinal de contas o trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal do Seixal não tem tido qualquer expressão na qualidade de vida das populações.
A verdade é que tal não aconteceu.
A democracia é precisamente isso. Vence quem tem mais votos. E têm mais votos aqueles em quem a população confia que poderão fazer mais e melhor trabalho.
No Seixal a população atestou a mais-valia que pensa estar no PCP. Respeito, e muito, os resultados eleitorais e a vontade do povo e ao contrário de muitos não penso que os quase 28000 seixalenses que votaram no PCP estejam todos errados ou que sejam estúpidos. Isso não seria democrático.
Confesso que me sinto profundamente desiludido e considero este resultado uma derrota pessoal.
Já não sou militante do PSD e não tenho, desde há alguns anos, funções executivas neste partido. Mas conheço todos os candidatos e sou amigo de muitos deles. Para mais, participei activamente na elaboração da estratégia do PSD e sou responsável por uma parte significativa do programa autárquico (para o concelho).
Tenho ainda, em jeito de posfácio, de deixar uma palavra a duas pessoas: ao Samuel Cruz (candidato do PS) cujo estilo confesso apreciar e que teve, apesar de tudo, o mérito de conseguir segurar o resultado do PS no Seixal; e ao Paulo Edson da Cunha (candidato do PSD) que me deu a oportunidade de fazer parte de um projecto muito interessante e que é, acima de tudo o resto, um homem trabalhador e que fará, certamente, o seu melhor na vereação.
Finalmente não posso deixar também de reiterar os parabéns aos eleitos do PCP e às suas estruturas locais desejando que invertam o rumo das suas políticas e que sejam capazes de respeitar os adversários.