Um dos principais temas políticos do final do ano de 2009 foi, como não poderia deixar de ser, a questão referente à eleição do executivo da Junta de Freguesia de Fernão Ferro.
Depois de um impasse resultante do chumbo colectivo por parte da oposição da proposta de executivo dos eleitos do PCP e do muito que se escreveu e leu, quer na blogosfera, quer na imprensa local, o assunto parece ter tido uma resolução muito fácil.
Infelizmente não tivemos oportunidade de assistir presencialmente à reunião da Assembleia de Freguesia onde estas questões foram debatidas, mas segundo o Jornal do Seixal a solução foi encontrada com a abstenção do BE à proposta de executivo do PCP. Importa salientar que quer o PSD, quer o PS votaram, uma vez mais, contra a proposta do PCP.
O enlace desta questão era, naturalmente, uma das muitas opções possíveis sendo certo que não era aquela que esperávamos desde logo porque não colocámos a possibilidade do BE se abster. Afinal de contas foi este partido que acabou por roer a corda e deixar os outros partidos da oposição sem capacidade para inviabilizar o executivo proposto pelo PCP.
Não se compreende, sobretudo, a motivação do BE. Porque motivo se absteve agora se o poderia ter feito na primeira reunião da Assembleia de Freguesia? Será que não existem motivações de natureza política no exercício desta actividade?
Do PCP esperávamos outra postura mas optaram por uma via intermédia. Poderiam ter forçado a realização de eleições antecipadas uma vez que já se tinham movimentado nesse sentido. Será que tiveram medo de não obter uma maioria absoluta? Será que tiveram receio de perder a Junta de Freguesia?
Já ao PSD e ao PS pouco há a apontar no que concerne à postura que mantiveram neste acto eleitoral. Mantiveram-se fiéis ao que tinham prometido e agiram coerentemente. Apesar de tudo aceitaram uma lista da para Mesa da Assembleia de Freguesia mista com elementos do PCP, PSD e PS. Não terá sido esta uma concessão desnecessária que apenas dá mais força à posição original do PCP?
Seja como for esta é uma lição para todos os partidos reterem para o futuro. O PSD e o PS sabem agora que não existe confiança possível no BE (que devido à sua natureza ideológica estará, quase sempre, ao lado do PCP independentemente do caso em concreto). O PCP perdeu uma oportunidade de jogar e de poder sair vitorioso. Sabem agora, também, que têm no BE um aliado para o futuro e que podem jogar com isso na Assembleia de Freguesia.
Quem perde? Naturalmente que perdem PSD, PS e BE. Os dois primeiros porque têm hoje tanto como poderiam ter tido na primeira reunião da Assembleia de Freguesia. Perdem porque se desgastara (talvez até internamente) sem conseguirem obter resultados. Perdem porque a sua estratégia não obteve frutos. O BE perde porque não foi coerente. Se esta postura tivesse sido seguida desde o primeiro momento ninguém poderia apontar o dedo a este partido. Agora, depois de tudo, foram estes aqueles que deram o cheque em branco a Carlos Pereira e ao PCP.
Quem ganha? O PCP, embora no prolongamento, é o vencedor. O resultado poderia ter sido diferente, mas é como diz o ditado: mais vale um pássaro na mão, do que dois a voar!